quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vírus em Mutação

Vírus " HIV "em Mutação
Vírus em Mutação

O vírus HIV tem uma elevada taxa de mutação. Por dia, cerca de 10 bilhões de partículas virais são produzidas em cada paciente infectado. Todas essas partículas têm pelo menos uma mutação em seu código genético.

Nem sempre a mutação implica em maior resistência do vírus aos medicamentos anti-retrovirais, mas um vírus resistente sempre surge de uma mutação. O índice de vírus resistentes circulando nos pacientes soropositivos brasileiros ainda é muito baixo. Em geral está em torno de 1% das novas infecções.

Amilcar Tanuri diz ainda que há uma tendência natural do aumento do índice de vírus HIV resistentes. "O número de vírus resistentes e mutantes pode aumentar com o uso dos anti-retrovirais", afirma. Nos Estados Unidos e nos países europeus o índice de vírus resistentes é de 10% a 20%, e tende a aumentar ao longo do tempo.

O infectologista Marco Antônio Vitória, assessor do Programa Nacional de DST-Aids do Ministério da Saúde, afirma que a resistência do vírus HIV é um fenômeno esperado, por ser um microorganismo com alta taxa de mutação. Na avaliação do Ministério da Saúde, a taxa de resistência no Brasil ainda é baixa e, por isso, não justifica orientação especial quanto ao uso de anti-retrovirais.

Um estudo com aproximadamente 300 amostras de sangue colhidas em todo território nacional, que contou com a participação do infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Amilcar Tanuri, indicou uma taxa de cepas mutantes e resistentes em torno de 1%. "Nessa amostragem, colhemos também sangue de pacientes de São Vicente, localizado na Baixada Santista, e a taxa era virtualmente zero. Existe uma discrepância entre os dados da nossa pesquisa e os da Unifesp, coordenada pelo professor Ricardo Diaz. Essa disparidade deverá ser analisada em estudos futuros. A diferença dos resultados é grande, sobretudo em Santos", informa o médico.
Pesquisa Aponta Índice Elevado

Dados preliminares de uma pesquisa desenvolvida pelo Laboratório de Retrovirologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, em conjunto com a Fundação Pró-sangue/Hemocentro de São Paulo e a Universidade da Califórnia (EUA), demonstram que já existe no Brasil um subtipo de HIV com mutações em sua estrutura e mais resistente a alguns medicamentos. O estudo vem sendo desenvolvido há seis anos. Desde 1995, os cientistas acompanham a evolução da epidemia e analisam, anualmente, cerca de duas mil amostras de sangue de indivíduos que procuram o centro de testagem anônima para HIV na cidade de Santos, litoral Sul de São Paulo.

No último levantamento, os pesquisadores constataram que os vírus das chamadas infecções recentes (ocorridas num período de até três meses antes da coleta de sangue) são menos suscetíveis a determinados medicamentos do que os das infecções não-recentes, ou seja, têm mais resistência a alguns anti-retrovirais.

Cerca de 20% dos pacientes avaliados e que contraíram o HIV em 2000 apresentaram resistência completa à droga usada no coquetel chamada 3TC e resistência parcial ao AZT. No grupo que havia se infectado anos atrás e fazia o controle com medicamentos, o índice de resistência foi bem menor - cerca de 5%.

O pesquisador e infectologista Ricardo Diaz, da Unifesp, explica que o fenômeno de resistência se deu através do processo de seleção natural. Os vírus dos indivíduos com infecções recentes são combinações de dois subtipos de HIV prevalentes no Brasil (B e F). "É a primeira vez que esse tipo de cepa é detectada em grande escala no Brasil. Estamos vivendo uma fase da epidemia em que determinados indivíduos apresentam infecção dupla", diz o coordenador do estudo, Ricardo Diaz.

O médico informa que na África, foram identificados vírus híbridos dos subtipos A e G. Na Tailândia, há mutação com os subtipos E e A.

O infectologista Ricardo Diaz explica que, além de oferecer maior resistência aos medicamentos, os vírus recombinantes podem não ser detectados por testes sorológicos convencionais. Isso, na opinião de Ricardo Diaz, explicaria a discrepância entre os dados colhidos por outras pesquisas brasileiras sobre resistência de vírus HIV. Para evitar falhas no diagnóstico, os pesquisadores da Unifesp utilizam um teste capaz de identificar versões híbridas (de dupla infecção) do HIV.
Prevenção Futura

Se as previsões não são das melhores, devido à possibilidade de aumento da resistência dos vírus, o mais prudente é evitar a contaminação, fazendo uso dos métodos preventivos disponíveis.

A comunidade científica é ainda cautelosa ao prever a conclusão de uma vacina preventiva contra a doença. Até hoje, pelo menos 30 diferentes vacinas foram testadas - a maior parte nos Estados Unidos e em países da Europa. Em novembro deste ano, a vacina desenvolvida em conjunto pelo Instituto Pasteur, da França, e pelas universidades norte-americanas de Pittsburg e Rochester, começou a ser testada na população brasileira. A vacina é formada por uma combinação da proteína chamada "gp 120", que se encontra na superfície externa do vírus HIV, com o vetor "canaripox", que possui cópias de genes de vírus reproduzidas em laboratório por meio de engenharia genética. A empresa norte-americana VaxGen, da Califórnia, é a detentora da proteína gp 120 e o vetor canaripox foi desenvolvido pela francesa Aventis Pasteur. Com essa vacina, pretende-se proporcionar a imunidade ao subtipo B do vírus HIV.

A empresa norte-americana VaxGens iniciou, sozinha, outro teste de sua vacina. Com início em 1998, o estudo terá seus resultados divulgados, provavelmente, até 2002. A empresa testa duas versões da vacina, formada pela proteína gp 120 para os subtipos B e E do vírus HIV.

Os médicos lembram que as vacinas são esperanças de prevenção futura. Por enquanto, o melhor é prevenir-se com os métodos convencionais e já conhecidos pela população. Mesmo com o risco de resistência do vírus HIV, as pessoas devem seguir à risca o tratamento com o coquetel de anti-retrovirais indicado por seu médico.

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